• 1 É por anunciar aos gentios a mensagem de Jesus Cristo que me encontro atualmente na prisão.
  • 2 Já devem saber que Deus me entregou esta missão especial de mostrar a sua graça para convosco.
  • 3 E como mencionei nesta carta, o próprio Deus me revelou o seu plano secreto.
  • 4 Podem assim perceber a razão do meu conhecimento particular de todas estas coisas referentes a Cristo e que eram como que um mistério,
  • 5 em tempos passados, para toda a gente, mas que Deus desvendou agora aos seus apóstolos e profetas.
  • 6 Esse mistério é o seguinte: que os não-judeus têm participação igual aos judeus na herança dos filhos de Deus, e que são membros de um mesmo corpo, usufruindo das promessas em Jesus Cristo que passaram também a dizer-lhes respeito, ao aceitarem o evangelho.
  • 7 Essas foram as boas novas de cujo anúncio Deus me pôs ao serviço, segundo o privilégio que a sua graça me concedeu, para o que me deu a capacidade pela ação do seu poder em mim.
  • 8 Eu, contudo, que sou o mais insignificante de todos os santos, recebi este favor de Deus de anunciar aos gentios as riquezas de Cristo, que o espírito humano nunca poderá compreender no seu inteiro e profundo significado.
  • 9 Fui assim encarregado de desvendar esse mistério de Deus, que se encontrava por revelar, desde que ele criara todas as coisas.
  • 10 Presentemente, através da igreja, os governos e autoridades espirituais que estão nos domínios celestiais podem conhecer a infinita e variada sabedoria de Deus,
  • 11 segundo o plano que ele concebeu desde a eternidade, e que Cristo Jesus, nosso Senhor, veio realizar.
  • 12 A fé e a confiança que temos em Cristo permitem-nos aproximarmo-nos de Deus com toda a ousadia e entrar na sua presença com toda a liberdade.
  • 13 Por isso, não se deixem desencorajar com todos estes sofrimentos por que estou a passar. Tudo isto é afinal em vosso benefício; devem até sentir-se honrados por isso.
  • 14 Quando penso na grandeza e na importância deste plano, não posso deixar de me ajoelhar perante o Pai,
  • 15 e de adorar esse que é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e Pai também de toda a grande família de Deus, tanto no céu, como em baixo na Terra.
  • 16 E o pedido que lhe faço é que, segundo os seus recursos gloriosos, vos fortaleça poderosamente no vosso interior pelo seu Espírito;
  • 17 e que Cristo, devido à vossa fé nele, habite cada vez mais nos vossos corações. E então, bem estabelecidos e enraizados no amor de Deus,
  • 18 poderão, em comunhão com todos os outros crentes, compreender com clareza o significado do amor de Cristo para convosco, em toda a sua dimensão: extensão, profundidade, vastidão e altura.
  • 19 Que possam experimentar esse amor, ainda que ultrapasse toda a compreensão. E assim ficarão cheios de toda a plenitude da presença de Deus.
  • 20 Àquele que, pelo poder que atua em nós, é capaz de tudo realizar muito para além do que pedimos ou pensamos,
  • 21 a ele seja dada glória na igreja, e em Cristo Jesus, através de todas as gerações, para todo o sempre! Amém!

Nomes deste capítulo

Versículos 1-7. O apóstolo declara o seu ministério, as suas qualidades e a sua chamada; 8-12: Além do mais, aos nobres propósitos a que corresponde; 13-19: Ora pelos efésios; 20, 21: Acrescenta ação de graças.

Vv. 1-7. Por ter pregado a doutrina da verdade, o apóstolo estava preso, mas era um preso de Jesus Cristo; era objeto de proteção e de cuidado especial enquanto sofria por causa dEle. Todas as ofertas de graça do Evangelho, bem como a nova de grande alegria que este contém, vêm da rica graça de Deus; é o grande meio pelo qual o Espírito Santo trabalha a graça nas almas dos homens. O mistério é este propósito secreto de salvação, escondido, por meio de Cristo. Este não foi tão claramente mostrado em épocas anteriores a Cristo, como aos profetas do Novo Testamento. Esta era a grande verdade que fora revelada ao apóstolo, que Deus chamaria os gentios à salvação por meio da fé em Cristo. Uma obra eficaz do poder divino acompanha os dons da graça divina. Como Deus nomeou a Paulo para este trabalho, desta maneira preparou-o e deu-lhe os meios necessários para que o realizasse.

Vv. 8-12. Aqueles a quem Deus promove a cargos de honra, faz com que sintam-se baixos diante de seus próprios olhos; aonde Deus dá graça para que sejamos humildes, aí concede toda a graça que seja necessária. Quão alto o apóstolo fala de Jesus Cristo, das inescrutáveis riquezas de Cristo! Ainda que muitos não sejam enriquecidos com estas maravilhosas riquezas, de todo modo, que favor tão grande é que alguém as pregue para nós, e que estas nos sejam oferecidas! se não somos enriquecidos com estas, é nossa própria culpa. A primeira criação, quando Deus fez todas as coisas a partir do nada, e a nova criação, pela qual os pecadores são transformados em novas criaturas pela graça que converte, são de Deus por meio de Jesus Cristo. As suas riquezas são tão inescrutáveis e tão seguras quanto sempre foram, mesmo que enquanto os anjos adoram a Deus por sua sabedoria pela redenção de sua igreja, a ignorância dos homens carnais, que se julgam sábios a seus próprios olhos, condena a tudo como se fossem coisas néscias.

Vv. 13-19. O apóstolo parece estar mais ansioso pelos crentes, para que não suceda que se desanimem e desfaleçam por causa de suas tribulações, do que por aquilo que ele mesmo deveria suportar. Pede bênçãos espirituais, que são as melhores bênçãos. O poder do Espírito de Deus no homem interior; força para a alma; o poder da fé para servirmos a Deus e cumprirmos o nosso dever. se a lei de Cristo estiver escrita em nossos corações, e se o amor de Cristo for derramado por todas as partes, então podemos dizer que Cristo habita em nossos corações. Ele habita aonde o seu Espírito habita. Desejaríamos que os bons afetos fossem permanentes em nossa vida. Quão desejável é possuirmos em nossa alma a firme sensação do amor de Deus em Cristo! Com quanta força o apóstolo fala do amor de Cristo! A largura deste mostra a sua magnitude a todas as nações e classes sociais; o seu comprimento mostra que este vai de eternidade a eternidade; a profundidade mostra a salvação daqueles que submergiram nas profundezas do pecado e da miséria, e a altura, a sua elevação à felicidade e à glória celestial. Podemos dizer que aqueles que recebem graça sobre graça da plenitude de Cristo, estão cheios da plenitude de Deus. Isto não deveria satisfazer o homem? Deve encher-se com milhares de enganos, orgulhando-se de que com estes completa a sua felicidade?

Vv. 20,21. É sempre apropriado que terminemos as nossas orações com louvores. Esperemos mais, e peçamos mais, alentados por aquilo que o Senhor Jesus Cristo já fez por nossas almas, seguros de que a conversão dos pecadores e o consolo dos crentes será para a sua glória para todo o sempre.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0