Lendo…
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Sendo o antigo sistema da Lei judaica apenas uma sombra dos benefícios que ainda estavam para vir, que não transmitiam a imagem exata das realidades espirituais, é evidente que esses sacrifícios, que se repetiam continuamente ano após ano, não podiam purificar perfeitamente os que se chegavam a Deus.
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Se assim fosse, um só sacrifício teria bastado. Os participantes no ato de adoração teriam sido purificados de uma só vez e nunca mais teriam tido o sentimento de culpa nas suas consciências.
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Esses sacrifícios, pelo contrário, vêm lembrar-lhes continuamente, todos os anos, o seu pecado.
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Porque é impossível que o sangue de bois e de bodes tire a culpa dos pecados.
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Foi por isso que Cristo, quando veio ao mundo, disse: “Sacrifícios nem ofertas quiseste, mas formaste-me um corpo.
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Não são animais queimados em oferta pelo pecado que tu reclamas.
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Então eu disse: ‘Aqui venho, ó Deus, para fazer a tua vontade, tal como está escrito a meu respeito no livro do Senhor.’ ”
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Repare-se que diz: “Não quiseste sacrifícios nem ofertas nem animais queimados pelo pecado, isso não te agrada” (embora seja exigido pela Lei de Moisés).
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E acrescenta depois: “Aqui venho, ó Deus, para fazer a tua vontade.” Isso significa que aboliu o primeiro sistema para instituir um segundo.
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E foi porque Jesus Cristo executou a vontade de Deus, oferecendo uma só vez o seu próprio corpo em sacrifício, que nós somos limpos do pecado.
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Segundo a antiga aliança, os sacerdotes iam todos os dias executar, muitas vezes, os mesmos sacrifícios que nunca podiam apagar os pecados.
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Mas Cristo, tendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, válido para sempre, está sentado no lugar de maior honra, à direita de Deus,
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onde espera até que ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.
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Por meio daquela única oferta da sua própria vida, Cristo tornou perfeitos para sempre aqueles que são santificados.
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E o Espírito Santo confirma que isto é assim, quando inspirou estas palavras:
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“Esta é a aliança que farei com o povo de Israel, diz o Senhor: Porei as minhas leis nos seus entendimentos, vou escrevê-las nos seus corações.” E diz ainda:
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“Não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas más ações.”
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18
É evidente que, para pecados que já tenham sido perdoados, não há mais necessidade de fazer sacrifícios para os apagar.
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Assim, meus irmãos, devido ao sangue de Jesus podemos entrar, com ousadia, no lugar santíssimo.
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20
Este é o caminho novo e cheio de vida que Cristo nos abriu, ao rasgar o véu de separação, por meio da sua morte.
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E visto que temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
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cheguemo-nos com um coração verdadeiro, na certeza confiante da fé, tendo as nossas consciências purificadas e o nosso corpo lavado com água pura.
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23
Mantenhamos firmemente a nossa esperança, porque Deus é fiel e nada falhará ao que promete.
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24
Procuremos desenvolver entre nós o amor fraternal e estimulemo-nos a fazer o bem.
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25
Não descuidemos a nossa participação na comunidade dos crentes, como muitos fazem. Pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, tanto mais que vemos aproximar-se o grande momento da sua segunda vinda.
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Se, depois de ter tido o pleno conhecimento daquilo que é a verdade, continuarmos deliberadamente a pecar, não haverá nenhum sacrifício que possa cobrir esses pecados.
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27
Aí não resta mais do que aguardar o julgamento de Deus e o fogo intenso que consumirá todos os que se levantam contra ele.
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28
Alguém que desobedecesse à Lei de Moisés era morto sem apelo, apenas na base do testemunho de duas ou três pessoas.
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29
Portanto, imaginem de quanto maior castigo não será considerado merecedor aquele que desprezar o Filho de Deus, e considerar profano o sangue que ele derramou, com o qual ficou confirmada a nova aliança, e ofender o Espírito da graça!
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Porque bem conhecemos aquele que disse: “Minha é a vingança e hei de exercê-la.” E logo a seguir: “O Senhor julgará o seu povo.”
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31
É terrível ficar sob o castigo do Deus vivo.
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32
Lembrem-se daqueles primeiros tempos, depois de terem sido iluminados, em que tiveram de suportar o sofrimento de grandes combates.
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33
Por vezes foram expostos ao escárnio e ao sofrimento, outras vezes foram vocês que apoiaram outros que padeceram as mesmas coisas.
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34
Padeceram igualmente com aqueles que foram lançados na prisão e aceitaram com alegria que vos fosse tirado o que possuíam, sabendo que riquezas bem melhores e permanentes vos esperam no céu.
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35
Não deixem, pois, enfraquecer a vossa confiança no Senhor; ela será abundantemente recompensada.
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36
É preciso continuar com perseverança a fazer a vontade de Deus, se quiserem depois alcançar o que ele vos prometeu.
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37
Está escrito: “Ainda mais um pouco e aquele que há de vir virá e não se demorará!
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38
O meu justo pela fé viverá, e se ele recuar a minha alma não terá prazer nele.”
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39
Nós, porém, não somos daqueles que recuam e são destruídos, mas daqueles cuja fé assegura a nossa salvação.
Nomes deste capítulo
Este capítulo no Atlas
Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible
(Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Versículos 1-18: A insuficiência dos sacrifícios para tirar o pecado - A necessidade e o poder do sacrifício de Cristo para este propósito; 19-25: Um argumento a favor da santa ousadia do acesso do crente a Deus através de Jesus Cristo - A constância da fé, do amor e do dever mútuos; 26- 31: O perigo da apostasia; 32-39: Os sofrimentos dos crentes e a exortação a manter sua santa profissão de fé.
Vv. 1-10. Havendo mostrado que o tabernáculo e as ordenanças do pacto do Sinai eram somente emblemas e tipificações do Evangelho, o apóstolo conclui que os sacrifícios que os sumos sacerdotes ofereciam continuamente não podiam aperfeiçoar os adoradores quanto ao perdão e a purificação de suas consciências. Porém, quando "Deus manifestado em carne" se ofereceu como sacrifício, e o resgate foi sua morte no madeiro maldito, então, por ser de infinito valor o que sofreu, seus sofrimentos voluntários foram de infinito valor. O sacrifício expiatório deve ser digno de aceitação e deve dar-se por vontade própria no lugar do pecador: Cristo fez assim. A fonte de tudo isso que Cristo fez por seu povo é a soberana vontade e graça de Deus. A justiça introduzida e o sacrifício oferecido uma só vez por Cristo, são de poder eterno, e sua salvação nunca será tirada. São de poder para tornar todos os que vão a Ele, perfeitos; estes tiram do sangue expiatório a força e os motivos para obedecer e para consolo interior.
Vv. 11-18. Sob o novo pacto ou sob a dispensação do Evangelho, têm-se o perdão pleno e definitivo. Isto significa uma enorme diferença do novo pacto em relação ao antigo. No antigo, os sacrifícios deviam ser repetidos muitas vezes e, depois de tudo, obtinha-se por eles o perdão que era válido somente neste mundo. Sob a dispensação do novo pacto, bastou um só sacrifício para adquirir o perdão espiritual de todas as nações e em todas as épocas, ou para ser livre do castigo no mundo vindouro. Este pacto é apropriadamente chamado de novo pacto. Que ninguém suponha que as invenções humanas têm algum valor para aqueles que as colocam em lugar do sacrifício do Filho de Deus. O que nos resta então, senão que busquemos os benefícios por fé neste sacrifício; e o selo dele em nossas almas pela santificação do Espírito para obediência? Deste modo, uma vez que a lei está escrita em nossos corações, podemos saber que somos justificados e que Deus não se lembrará mais dos nossos pecados.
Vv. 19-25. Após haver concluído a primeira parte da epístola, o apóstolo aplica a doutrina a propósitos práticos. Como os crentes tinham caminho aberto à presença de Deus, então convinha-lhes usar este privilégio. O caminho e os meios pelos quais os cristãos desfrutam destes privilégios passa pelo sangue de Jesus, pelo mérito desse sangue que Ele ofereceu como sacrifício expiatório. A conciliação da santidade infinita com a misericórdia que perdoa não foi claramente estendida até que a natureza humana de Cristo, o Filho de Deus, foi ferida e moída por nossos pecados. Nosso caminho ao céu passa pelo Salvador crucificado; sua morte é para nós o caminho de vida, e para os que crêem nisto, Ele é precioso. Deveriam se aproximar de Deus, seguí-lo de longe seria desprezá-lo. Seus corpos tinham de ser lavados com água pura, aludindo às lavagens ordenadas pela lei: desta maneira, o uso da água no batismo servia para lembrar aos cristãos que a sua conduta deveria ser pura e santa. Como estes derivam consolo e graça de seu Pai reconciliado às suas próprias almas, adornam a doutrina de Deus seu Salvador em todas as coisas. Os crentes devem procurar saber como podem servir uns aos outros, especialmente estimulando-se ao exercício mais vigoroso e abundante do amor e da prática das boas obras. A comunhão dos santos é uma grande ajuda e privilégio, e um meio de constância e perseverança. Devemos observar a chegada de tempos de prova, e por estes ser despertados a uma diligência maior. Há um dia de prova que vem para todos os homens: o dia de nossa morte.
Vv. 26-31. As exortações contra a apostasia e a favor da perseverança são enfatizadas por muitas razões de peso. O pecado aqui mencionado é a falha total e definitiva em que os homens desprezam e rejeitam a Cristo, o único Salvador, com vontade e resolução total e firme; desprezam e resistem ao Espírito Santo, o único Santificador; e desprezam e renunciam o Evangelho, o único caminho à salvação, e as palavras de vida eterna. Todavia, desta destruição Deus dá na terra, um aviso prévio temível às consciências de alguns pecadores, que perdem a esperança de ser capazes de suportá-la ou de escapar dela. Que castigo pode ser mais doloroso do que morrer sem misericórdia? Respondemos: morrer por misericórdia, pela misericórdia e pela graça que eles desprezaram. Quão temível é o caso quando não só a justiça de Deus, mas sua graça e misericórdia, que sofreram abusos, clamam por vingança! Tudo isto não significa, sequer de forma mínima, que as almas que se lamentam pelo pecado fiquem excluídas da misericórdia, ou que se negue o benefício do sacrifício de Cristo a alguém disposto a aceitar estas bênçãos. Cristo não lançará fora aqueles que recorrerem a Ele.
Vv. 32-39. Muitas e variadas aflições uniram-se contra os primeiros cristãos, e estes passaram por grandes conflitos. O espírito cristão não é um espírito egoísta; leva-nos a compadecermo-nos do próximo, visitá-lo, ajudá-lo e rogar por ele. Aqui todas as coisas são somente sombras. A felicidade dos santos durará para sempre no céu; os inimigos nunca poderão roubá-la, como acontece com os bens terrenos. Isto fará uma rica restauração de tudo o que perdermos e sofrermos aqui. Todavia, a maior parte da felicidade dos santos está na promessa. É uma prova da paciência dos cristãos, o fato de contentarem-se em viver depois que a sua obra já estiver feita, e seguir após sua recompensa até que chegue o tempo de Deus concedê-la. Logo Ele virá a eles, na morte, para acabar com todos os seus sofrimentos e dar-lhes a coroa da vida. O atual conflito do cristão pode ser agudo, mas logo terminará. Deus nunca se agrada da profissão formal de fé e dos deveres e serviços exteriores dos que não perseveram, e os contempla com muito desagrado. Os que se mantiveram fiéis nas grandes provas de épocas passadas, têm razões para esperar que a mesma graça ainda os ajude a viver por fé, até que recebam o objetivo de sua fé e paciência, que é a salvação de suas próprias almas. vivendo por fé, e morrendo por fé, nossas almas estarão a salvo para sempre.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público