Lendo…
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David fugiu de Naiote de Ramá e encontrou-se com Jónatas. “Que foi que eu fiz?”, perguntou. “Porque é que teu pai procura tirar-me a vida?”
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“Não é verdade!”, protestou Jónatas. “Tenho a certeza que não está a planear nada, pois sempre me diz tudo o que pensa fazer, mesmo as mais pequenas coisas, e sei que não me esconderia uma coisa como essa. Não, isso não pode ser.”
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“Tu é que não sabes o que se passa! O teu pai sabe bem da nossa amizade e por isso pensa: ‘Não vou dizer nada a Jónatas para não o magoar.’ A verdade é que ando constantemente a dois passos da morte. Tão certo como vive o SENHOR e estar viva a tua alma!”
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Jónatas respondeu-lhe: “Farei tudo o que puder por ti.”
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“Amanhã começa a celebração da lua nova. Sempre passei essa ocasião com o teu pai, mas amanhã escondo-me no campo e fico lá até à noite do terceiro dia.
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Se o teu pai perguntar onde estou, diz-lhe que pedi licença para ir a Belém celebrar com toda a minha família o sacrifício anual.
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Se responder, ‘Está bem!’, saberei que não há novidade. Mas se ele se encolerizar, será o sinal de que na verdade quer mesmo matar-me.
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Sê então bondoso para comigo, pois fizemos aliança no SENHOR, de sermos como irmãos. Se não, mata-me tu mesmo, se é verdade que pequei contra o teu pai, mas não me entregues!”
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“Eu não faria uma coisa dessas!”, exclamou Jónatas. “Eu não deixaria de te avisar se soubesse que o meu pai estava com intenções de te matar!”
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David perguntou: “Como hei de saber se o teu pai está ou não zangado?”
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“Vamos para o campo”, sugeriu Jónatas. E saíram juntos.
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Jónatas disse então a David: “Prometo, pelo SENHOR Deus de Israel, que amanhã por esta altura do dia, ou depois de amanhã o mais tardar, falarei ao meu pai a teu respeito e dar-te-ei a conhecer definitivamente o que ele sente por ti.
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Se estiver encolerizado e com a intenção de te matar, então que seja o SENHOR a matar-me se eu não te avisar, para que possas escapar e viver. Que o SENHOR seja contigo como foi com o meu pai.
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Lembra-te que deves demonstrar o amor e a bondade do SENHOR não só para comigo, durante a minha vida,
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mas também para com os meus filhos, depois do SENHOR ter destruído todos os teus inimigos.”
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Assim, Jónatas fez uma aliança com a família de David, dizendo: “Que o SENHOR vingue os inimigos de David!”
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Jónatas fez com que David jurasse segunda vez pela grande amizade que havia entre eles; porque lhe queria tanto quanto a si próprio.
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Então Jónatas disse: “Amanhã é a festa da lua nova; darão pela tua falta à mesa, quando virem o teu lugar vazio.
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Depois de amanhã, toda a gente perguntará por ti. Por isso, mantém-te no esconderijo onde te encontrares junto à pedra de Ezel.
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Eu aproximar-me-ei e atirarei três setas em direção à pedra, como se estivesse a atirar ao alvo.
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A seguir, mandarei um moço ir buscar as setas. Se me ouvires dizer-lhe: ‘Procura-as que estão aí mesmo’, saberás que tudo vai bem e que não há problemas. Tão certo como vive o SENHOR.
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Mas se lhe disser: ‘Mais adiante, as setas estão lá mais para a frente’, isso quererá dizer que deves ir embora, porque o SENHOR manda-te ir.
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Que o SENHOR nos ajude a sermos fiéis ao que prometemos um ao outro, pois ele próprio foi testemunha disso.”
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David escondeu-se no campo. Quando a celebração da lua nova começou, o rei sentou-se para comer no lugar habitual, junto à parede.
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Jónatas sentou-se à sua frente e Abner ao lado de Saul, ficando vazio o lugar de David.
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Saul nada disse sobre o facto durante o dia todo, porque supôs que alguma coisa teria acontecido a David que o tivesse tornado ritualmente impuro.
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Quando no dia seguinte o seu lugar continuou vazio perguntou a Jónatas: “Porque é que David não veio comer nem ontem nem hoje?”
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“Ele pediu-me se podia ir a Belém
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tomar parte na celebração da família”, respondeu Jónatas. “O irmão pediu para ele lá estar e eu disse-lhe que fosse.”
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Saul ficou a arder em ira: “Filho duma prostituta!”, gritou-lhe. “Pensas que não sei muito bem que te aliaste a esse filho de Jessé, envergonhando-te a ti mesmo e à tua família?
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Enquanto esse indivíduo for vivo, nunca serás rei. Vai já à procura dele para que o mate!”
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“Que mal fez ele? Porque haveria de morrer?”
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Então Saul atirou-lhe com a lança para o matar. Jónatas deu-se bem conta de que o pai estava absolutamente decidido a matar David.
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Deixou a mesa profundamente revoltado e recusou-se a comer naquele dia por causa do vergonhoso comportamento do pai para com David.
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Na manhã seguinte, como combinado, saiu para o campo e levou consigo um moço para lhe apanhar as setas.
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“Vai a correr apanhar as setas que eu atirar.” Este partiu e ele atirou uma seta que fez passar adiante dele.
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Quando o rapaz estava quase a chegar ao sítio gritou-lhe: “A seta está mais à frente.
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Apressa-te, não demores!” O moço apanhou as setas e veio entregá-las a Jónatas,
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sem ter percebido as intenções do seu senhor. Só Jónatas e David sabiam o significado daquelas palavras.
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Jónatas entregou as setas e o arco ao moço e disse-lhe que regressasse à cidade.
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Logo que o moço partiu, David saiu do lugar onde estava escondido, para o lado sul do campo, veio ao seu encontro, abraçaram-se e ambos choraram. David estava inconsolável!
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Por fim, Jónatas disse-lhe: “Tem coragem, porque confiámos as nossas vidas e as vidas de nossos filhos nas mãos do SENHOR para sempre.” Então separaram-se e Jónatas regressou à cidade.
Nomes deste capítulo
Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible
(Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
Referências cruzadas: OpenBible.info (CC BY)
Versículos 1-10: Davi consulta Jônatas; 11-23: O pacto de Jônatas cola Davi; 24-34: Saul procura matar Jônatas por causa da ausência de Davi; 35-42: Jônatas despede-se de Davi.
Vv. 1-10. As provas que Davi enfrentou prepararam-no para o seu futuro progresso. Assim o Senhor trata aqueles a quem Ele prepara para a glória. Não os coloca imediatamente de posse do reino; dirige-os em meio a muitas tribulações, as quais são transformadas em meios para equipá-los ao reino. Ninguém deve murmurar contra a sua nomeação, que é pela graça, nem perder a confiança no cuidado de Deus; mas deve olhar adiante, com alegre esperança, para a coroa que lhe está reservada. Às vezes, parece-nos que não há algo além de um passo entre nós e a morte; pode ser assim em todas as ocasiões, e devemos nos preparar para este fato. Porém, ainda que o perigo pareça ameaçador, não podemos morrer enquanto não se cumprir o propósito de Deus em nossa vida, nem até que tenhamos servido à nossa geração conforme a sua vontade, se formos crentes. Jónatas oferece generosamente os seus serviços a Davi. Esta é uma autêntica amizade. Da mesma forma Cristo testifica o amor que tem por nós. "Pedi, e dar-se-vos-á"; e devemos dar testemunho de nosso amor para com Ele, obedecendo aos seus mandamentos.
Vv. 11-23. Jónatas promete a Davi, que lhe fará saber fielmente como se encontra a atitude de seu pai em relação a ele. Será bondade para conosco, bem como para com os nossos, ter como amigos os que são favorecidos por Deus, e tomarmo-nos amigos dos amigos deles. A verdadeira amizade repousa sobre uma base firme, e é capaz de fazer calar a ambição, o amor próprio, e a consideração indevida dos demais. Porém, quem é capaz de compreender completamente o amor de Jesus, que se entregou em sacrifício por pecadores rebeldes e corruptos! Quão grande, então, deve ser o poder e o efeito de nosso amor para com Ele, a sua causa e o seu povo!
Vv. 24-34. Ninguém era mais constante do que Davi para cumprir os deveres sagrados; porém, para preservar a sua própria vida, teve que ausentar-se. Em casos de grandes perigos, as oportunidades presentes para participar das ordenanças divinas podem ser postergadas. Porém, é mau para nós, quando, exceto em caso de necessidade, perdemos a oportunidade de participar da adoração a Deus, conforme o modo estabelecido. Jônatas agiu correta e prudentemente em relação a si mesmo e à sua família, quando se interessou pela causa de Davi, ainda que tenha sido considerado culpado por fazê-lo. Bom é que consideremos o povo de Deus como nosso povo. Ao final, isto se tornará uma vantagem para nós mesmos, ainda que no presente possa parecer contra os nossos interesses. Saul enfureceu-se. A ira é capaz de transformar os homens em animais selvagens, e ainda em piores do que eles!
Vv. 35-42. A separação dos dois amigos leais foi triste para ambos; porém, a situação de Davi era ainda mais lamentável, porque deveria deixar todo o conforto que possuía, até mesmo os que estavam relacionados ao santuário de Deus. os cristãos jamais devem se entristecer como os que não têm esperança, uma vez que são um em Cristo, são um entre si mesmos, e estarão na presença dEle dentro de pouco tempo, para jamais se separar, e encontrar-se-ão no lugar em que Deus enxugará de seus olhos toda lágrima.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público