• 1 Para onde foi o teu amado, Ó tu, a mais bela das mulheres? Para onde se retirou o teu amado, A fim de que o busquemos juntamente contigo?
  • 2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, Para apascentar nos jardins, e para colher as açucenas.
  • 3 Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu, Ele apascenta entre as açucenas.
  • 4 Formosa és, amada minha, como Tirza, Bela como Jerusalém, Terrível como um exército com bandeiras.
  • 5 Desvia de mim os teus olhos, Porque eles já me tomaram de assalto. Os teus cabelos são como os rebanhos das cabras, Que repousam nos flancos de Gileade.
  • 6 Os teus dentes são como um rebanho de ovelhas, Que sobem do lavadouro, Das quais cada uma tem gêmeos, E nenhuma delas é desfilhada.
  • 7 As fontes da tua cabeça são como um pedaço de romã, Por detrás do teu véu.
  • 8 Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, E donzelas sem número.
  • 9 Uma só é a minha pomba, a minha imaculada; Ela é a única de sua mãe, a escolhida da que lhe deu à luz. As mulheres viram-na, e chamaram-lhe bem-aventurada; Viram-na as rainhas e as concubinas, e louvaram-na.
  • 10 Quem é esta que aparece como a aurora, Formosa como a lua, Pura como o sol, Terrível como um exército com bandeiras?
  • 11 Desci ao jardim das nogueiras, Para ver os renovos do vale, Para examinar se as vides lançavam olhos, E se as romãs estavam em flor.
  • 12 Sem que eu soubesse como, pôs-me a minha alma Nos carros do meu nobre povo.
  • 13 Volta, volta, ó Sulamita; Volta, volta, para que te contemplemos. Por que quereis contemplar a Sulamita, Como a dança de Maanaim?

Versículos 1: Inquire-se onde se deve buscar a Cristo; 2 e 3: Onde Cristo pode ser encontrado; 11-13: A obra da graça no crente. V. 1. Os familiarizados com a excelência de Cristo, e o consolo de ter interesse nEle, desejam saber onde podem encontrá-lo. Os que desejam encontrá-lo, devem buscá-lo cedo e com diligência.

Vv. 2 e 3. A Igreja é um jardim fechado, separado do mundo; Ele cuida deste jardim, deleita-se nele e visita-o. Os que desejam encontrar a Cristo devem ir a Ele através de suas ordenanças, palavras e orações. Quando Cristo vem à sua Igreja, é para dar assistência aos seus filhos. Para levar crentes a si, Ele escolhe todos os seus lírios; e no grande dia, enviará os seus anjos para juntar todos eles, para que Ele seja admirado neles para sempre. A morte de um crente é como se o dono de um jardim cortasse uma flor favorita; Ele a preservará de murchar, e fará com que floresça para sempre com beleza crescente. Se os nossos corações podem testificar que somos de Cristo, não devemos questionar que Ele seja nosso, porque o pacto nunca se rompe do seu lado. O consolo da Igreja é que Ele se alimenta entre os lírios, e se deleita em seu povo.

Vv. 4-10. Toda a excelência e santidade real na terra concentra-se na igreja. Cristo segue adiante, a fim de vencer os seus inimigos enquanto os seus seguidores alcançam vitórias sobre o mundo, a carne e o Diabo. Mostra a ternura de um Redentor compassivo, o deleite que tem em seu povo redimido, e as obras de sua graça neles. Os crentes verdadeiros são os únicos que podem possuir a beleza da santidade. E quando se conhece o verdadeiro caráter deles, são elogiados. A Igreja e os crentes, em sua conversão, são como a aurora com sua pequena luz; porém, crescente. Quanto à santificação deles, são belos como a lua, e extraem de Cristo toda sua luz, graça e santidade; quanto à justificação, são claros como o sol, revestidos de Cristo, o Sol da justiça, e combatem o bom combate da fé sob a bandeira de Cristo, contra todos os inimigos espirituais.

Vv. 11-13. Na meditação e no retiro forma-se e aperfeiçoa-se o caráter cristão; porém, o mesmo não ocorre no retiro do ocioso, pois neste forma-se o que se dá ao prazer. Quando o cristão é livre do cumprimento de seus deveres na vida, o mundo não tem qualquer atrativo para ele. Sua oração é que todas as coisas pertencentes ao espírito possam viver e crescer em seu interior e ao redor dele. Tais são os cuidados e ocupações que interessam a pessoa a quem o mundo erroneamente considera infeliz e perdido para seus verdadeiros interesses. Com humildade e abnegação, o cristão humilde afasta-se da vista de todos, e o Senhor deleita-se em honrá-lo. Contudo, a referência principal são os anjos que ministram e serão enviados a favor da alma do cristão. A aproximação deles pode assustar; porém, a alma que se vai encontrará que o Senhor é a sua força e sua porção para sempre. A Igreja é chamada de Sulamita: a palavra significa perfeição e paz; não nela mesma, mas em Cristo, em quem ela está completa através da justiça do Filho de Deus, e tem a paz que ganhou para ela através de seu sangue, e é dada a ela por seu Espírito.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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