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1
Como és formosa, querida minha, como és formosa! Os teus olhos são como os das pombas e brilham através do teu véu. Os teus cabelos são como o rebanho de cabras que descem ondeantes do monte de Gileade.
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2
São os teus dentes como o rebanho das ovelhas recém-tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma delas há sem crias.
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3
Os teus lábios são como um fio de escarlata, e tua boca é formosa; as tuas faces, como romã partida, brilham através do véu.
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4
O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para arsenal; mil escudos pendem dela, todos broquéis de soldados valorosos.
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5
Os teus dois seios são como duas crias, gêmeas de uma gazela, que se apascentam entre os lírios.
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6
Antes que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso.
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7
Tu és toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito.
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8
Vem comigo do Líbano, noiva minha, vem comigo do Líbano; olha do cimo do Amana, do cimo do Senir e do Hermom, dos covis dos leões, dos montes dos leopardos.
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9
Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar.
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10
Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus unguentos do que toda sorte de especiarias!
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11
Os teus lábios, noiva minha, destilam mel. Mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano.
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12
Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada.
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13
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes: a hena e o nardo;
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14
o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias.
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15
És fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano!
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16
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! Venha o meu amado para o seu jardim e coma os seus frutos excelentes!
Recurso de Estudo
Versículos 1-7: Cristo manifesta a graça da Igreja; 8-15: O amor de Cristo para com a Igreja; 16: A Igreja deseja mais influência da graça divina.
Vv. 1-7. Se cada uma destas comparações tiver um significado aplicável às graças da Igreja ou do cristão fiel, não são claramente conhecidas; e tremendos erros têm sido cometidos pelos que procuram adivinhar fantasticamente. A mirra parece representar o monte Moriá, sobre o qual o templo foi construído, onde se queimava incenso e o povo adorava o Senhor. Esta foi a sua residência, até que as sombras da lei dadas a Moisés foram dispersas pelo amanhecer do dia do Evangelho, e a ascensão do sol da justiça. Ainda que em relação à sua natureza humana, Cristo esteja ausente de sua igreja na terra, e continuará assim até que o dia celestial clareie, está presente com o seu povo e espiritualmente em suas ordenanças. Quão belos e agradáveis de se olhar são os crentes quando estão justificados pela justiça de Cristo, e adornados com graças espirituais, e quando seus pensamentos, palavras e obras, ainda que imperfeitos, são puros e manifestam um coração nutrido pelo Evangelho!
Vv. 8-15. Observe o gracioso chamado de Cristo à sua Igreja: 1. Um preceito: assim, este é o chamado de Cristo à sua Igreja, para que saia do mundo. Estas colinas parecem aprazíveis; porém, nelas há moradas de leões; são montanhas de leopardos. 2. Como promessa: muitos serão levados como membros da Igreja de todos os lugares. A Igreja será protegida de seus perseguidores no devido tempo, ainda que agora habite entre leões (Sl 57.4). O coração de Cristo está em sua Igreja; seu tesouro está nela; e Ele se deleita no afeto que ela tem por Ele, sua obra no coração e suas ações na vida. Os aromas com os quais a esposa é perfumada são como os dons e a graça do Espírito. O amor e a obediência a Deus são mais agradáveis a Cristo que o sacrifício e o incenso. Cristo, após colocar em sua esposa o manto branco de sua própria justiça, e a dos santos, e perfumado com gozo e consolo, está muito feliz com isto. Cristo entra invisivelmente em seu jardim. Ele faz um cerco de proteção ao redor, para que todas as potestades das trevas não as rompam. As almas dos crentes são como jardins fechados, onde há um poço de água viva fio 4.14; 7.38), que são as influências do Espírito santo. O mundo não conhece este poço de salvação, nem algum adversário é capaz de corromper esta fonte. Os santos da Igreja e as graças dos santos são adequadamente comparados com frutos e especiarias. são plantados e não crescem por si mesmos. são as preciosas bênçãos desta terra, e serão guardados para um bom propósito quando as flores murcharem. A graça, quando termina em glória, dura para sempre. Cristo é a fonte que torna estes jardins férteis e faz até um poço de água viva. V. 16. A Igreja ora pela influência do bendito Espírito, para que torne este jardim fértil. A graça da alma é como especiarias destes jardins, para que neles esteja o que é valioso e útil. O Espírito santo, em sua obra sobre a alma, é como o vento. Há o vento norte de convicção, e o vento sul de consolo. Ele incita os bons afetos e opera em nós tanto o querer como o realizar o que é bom. A Igreja convida a Cristo. Que Ele tenha a honra de todos os produtos do jardim, e nós, o consolo de sua aceitação. Não podemos convidá-lo para nada, salvo para o que já e seu. O crente não pode gozar dos frutos, a menos que de uma ou outra forma redundem para a glória de Cristo. Então procuremos nos manter apartados do mundo, como jardim fechado, e evitemos a conformidade com o mundo.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público