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1
Como és bela, minha amada, como és linda! Os teus olhos, por trás do teu véu, são viçosos como os olhos das jovens pombas de Israel. O teu cabelo é como um rebanho de cabras que vem descendo pelas colinas de Gileade.
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2
Teus dentes... um rebanho de ovelhas brancas tosquiadas subindo após o banho, cada qual com suas crias gêmeas e nenhuma delas está sem filhotes.
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3
Os teus lábios são como um fio vermelho e delicado e a tua boca é linda. As tuas faces são como metades de uma romã por trás do teu véu.
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4
O teu pescoço é como a torre de Davi, erguida como arsenal. Nela estão pendurados mil escudos de guerra, todos eles escudos que pertenceram a guerreiros heróicos.
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5
Teus seios são como dois filhotes de cervo, como crias gêmeas de uma gazela vigorosa e que repousam entre os lírios.
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6
Enquanto não chega a aurora e as sombras da noite não fogem, irei à montanha da mirra e à colina do incenso.
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7
És, portanto, toda bela, minha amada, e não tens um só defeito!
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8
Vem do Líbano, noiva minha! Vem comigo do Líbano, meu amor! Desce do topo do Amana, do topo do Senir e do monte Hermom, das covas dos leões, da montanha dos leopardos.
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9
Furtaste-me o coração, minha igual, minha noiva amada. Roubaste-me toda a alma com um simples olhar, com uma simples joia dos teus preciosos colares.
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10
Quão deliciosas são as tuas carícias, minha irmã, minha noiva amada! Teus amores são mais agradáveis que o melhor e mais puro dos vinhos. A fragrância do teu perfume supera a mais cara especiaria!
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11
Os teus lábios gotejam a doçura dos favos de mel, minha amada noiva; leite e mel estão debaixo da tua língua. O aroma das tuas vestes é como o perfume do Líbano.
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12
És como um jardim fechado, minha noiva e minha irmã em Israel; és jardim fechado, uma fonte lacrada.
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13
De ti brota um pomar de romãs graúdas, com frutos excelentes e saborosos; flores de hena perfumada e nardo puro;
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14
nardo e açafrão, cálamo e canela, com todo tipo de madeiras aromáticas, mirra e aloés, com todas as mais finas e caras especiarias.
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15
Amada, és a fonte do mais lindo jardim, origem das águas vivas, que se tornam correntes e descem volumosas e refrescantes do Líbano!
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16
Desperta, ó vento norte! Aproxima-te, vento sul! Soprai em meu jardim, a fim de espalhar por toda a parte os teus perfumes. Ah! Que meu amado entre em seu jardim e coma os seus frutos deliciosos!
Recurso de Estudo
Versículos 1-7: Cristo manifesta a graça da Igreja; 8-15: O amor de Cristo para com a Igreja; 16: A Igreja deseja mais influência da graça divina.
Vv. 1-7. Se cada uma destas comparações tiver um significado aplicável às graças da Igreja ou do cristão fiel, não são claramente conhecidas; e tremendos erros têm sido cometidos pelos que procuram adivinhar fantasticamente. A mirra parece representar o monte Moriá, sobre o qual o templo foi construído, onde se queimava incenso e o povo adorava o Senhor. Esta foi a sua residência, até que as sombras da lei dadas a Moisés foram dispersas pelo amanhecer do dia do Evangelho, e a ascensão do sol da justiça. Ainda que em relação à sua natureza humana, Cristo esteja ausente de sua igreja na terra, e continuará assim até que o dia celestial clareie, está presente com o seu povo e espiritualmente em suas ordenanças. Quão belos e agradáveis de se olhar são os crentes quando estão justificados pela justiça de Cristo, e adornados com graças espirituais, e quando seus pensamentos, palavras e obras, ainda que imperfeitos, são puros e manifestam um coração nutrido pelo Evangelho!
Vv. 8-15. Observe o gracioso chamado de Cristo à sua Igreja: 1. Um preceito: assim, este é o chamado de Cristo à sua Igreja, para que saia do mundo. Estas colinas parecem aprazíveis; porém, nelas há moradas de leões; são montanhas de leopardos. 2. Como promessa: muitos serão levados como membros da Igreja de todos os lugares. A Igreja será protegida de seus perseguidores no devido tempo, ainda que agora habite entre leões (Sl 57.4). O coração de Cristo está em sua Igreja; seu tesouro está nela; e Ele se deleita no afeto que ela tem por Ele, sua obra no coração e suas ações na vida. Os aromas com os quais a esposa é perfumada são como os dons e a graça do Espírito. O amor e a obediência a Deus são mais agradáveis a Cristo que o sacrifício e o incenso. Cristo, após colocar em sua esposa o manto branco de sua própria justiça, e a dos santos, e perfumado com gozo e consolo, está muito feliz com isto. Cristo entra invisivelmente em seu jardim. Ele faz um cerco de proteção ao redor, para que todas as potestades das trevas não as rompam. As almas dos crentes são como jardins fechados, onde há um poço de água viva fio 4.14; 7.38), que são as influências do Espírito santo. O mundo não conhece este poço de salvação, nem algum adversário é capaz de corromper esta fonte. Os santos da Igreja e as graças dos santos são adequadamente comparados com frutos e especiarias. são plantados e não crescem por si mesmos. são as preciosas bênçãos desta terra, e serão guardados para um bom propósito quando as flores murcharem. A graça, quando termina em glória, dura para sempre. Cristo é a fonte que torna estes jardins férteis e faz até um poço de água viva. V. 16. A Igreja ora pela influência do bendito Espírito, para que torne este jardim fértil. A graça da alma é como especiarias destes jardins, para que neles esteja o que é valioso e útil. O Espírito santo, em sua obra sobre a alma, é como o vento. Há o vento norte de convicção, e o vento sul de consolo. Ele incita os bons afetos e opera em nós tanto o querer como o realizar o que é bom. A Igreja convida a Cristo. Que Ele tenha a honra de todos os produtos do jardim, e nós, o consolo de sua aceitação. Não podemos convidá-lo para nada, salvo para o que já e seu. O crente não pode gozar dos frutos, a menos que de uma ou outra forma redundem para a glória de Cristo. Então procuremos nos manter apartados do mundo, como jardim fechado, e evitemos a conformidade com o mundo.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público