• 1 No final de cada sete anos as dívidas deverão ser canceladas!
  • 2 Eis como deverás proceder: todo credor cancelará o empréstimo que fez ao seu próximo. Nenhum israelita exigirá pagamento de seu próximo nem de seu parente, porquanto terá sido proclamada a remissão em honra de Yahweh.
  • 3 Poderás exigir pagamento do estrangeiro, mas deixarás quite o que havias emprestado a teu irmão!
  • 4 É verdade que em teu meio não haverá nenhum pobre, porque o SENHOR vai abençoar-te na terra que o Eterno, teu Deus, te está concedendo como herança para que dela tomes posse,
  • 5 com a condição de que obedeças de fato à Palavra de Yahweh, teu Deus, tendo o cuidado de colocar em prática todos estes mandamentos que hoje te ordeno.
  • 6 Quando o SENHOR, o teu Deus, te houver abençoado, conforme prometeu, tu emprestarás a muitas nações, mas nada pedirás emprestado, dominarás muitas nações, mas jamais serás dominado.
  • 7 Quando houver um pobre em teu meio, ainda que seja um só dos teus irmãos numa de tuas cidades, na terra que o SENHOR teu Deus te está doando, não endurecerás teu coração, tampouco fecharás a mão para com este teu irmão pobre;
  • 8 pelo contrário: abre-lhe generosamente a mão, emprestando o que lhe falta, na medida da sua necessidade.
  • 9 Fica atento a ti mesmo, para que não surja em teu íntimo um pensamento avarento e pagão: ‘O sétimo ano, o ano do cancelamento das dívidas, está se aproximando, e não quero ajudar o meu irmão necessitado!’ Cuidado! Ele poderá apelar ao SENHOR contra a tua pessoa, e serás culpado desse pecado.
  • 10 Quando lhe deres algo, não dês com má vontade, pois em resposta a esse gesto, Yahweh, teu Deus, te abençoará em todo o teu trabalho, em todo empreendimento da tua mão.
  • 11 Nunca deixará de haver pobres na terra; é por esse motivo que te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, tanto para o pobre como para o necessitado de tua terra!
  • 12 Se teu compatriota hebreu, homem ou mulher, vender-se a ti como escravo e servir-te durante seis anos, no sétimo ano tu o deixarás ir em plena liberdade!
  • 13 Contudo, quando lhe deres a liberdade, não o despeças de mãos vazias:
  • 14 dá-lhe com generosidade dos animais do teu rebanho e do produto da tua eira e do teu tanque de prensar uvas. Dá-lhe conforme a bênção que Yahweh, o teu Deus, tem concedido a ti mesmo.
  • 15 Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te redimiu. É por isso que eu te dou hoje essa ordem.
  • 16 Entretanto, se teu escravo te solicita: ‘Não quero deixar-te!’, se ele te ama, a ti e à tua casa, e está bem contigo,
  • 17 tomarás então uma sovela, um furador, e lhe furarás a orelha contra a porta, e ele ficará sendo teu servo para o resto da vida. Faze o mesmo em relação a tua escrava.
  • 18 Não te sintas prejudicado ao libertar o teu escravo, pois o serviço que ele prestou a ti nesses seis anos custou a metade do serviço de um trabalhador contratado. Além disso, Yahweh, teu Deus, te abençoará copiosamente em tudo o que realizares!
  • 19 Todo primogênito macho que nascer de todos os teus rebanhos, tu o consagrarás ao SENHOR, teu Deus. Não trabalharás com as primeiras crias de tuas vacas, nem tosquiarás o primogênito das tuas ovelhas.
  • 20 Tu o comerás em cada ano diante do SENHOR, teu Deus, tu e a tua casa, no lugar que o SENHOR tiver escolhido.
  • 21 Se o animal primogênito apresentar algum defeito, ou for manco ou cego, ou ainda tiver qualquer outro defeito grave, tu não poderás sacrificá-lo a Yahweh, teu Deus;
  • 22 poderás comê-lo em tua cidade, tanto o cerimonialmente puro quanto o impuro, como a gazela e o cervo.
  • 23 Não comerás, porém, o seu sangue: derrama-o sobre o chão da terra como se fosse água.

Versículos 1-11: O ano da libertação; 12-18: Acerca da libertação dos servos; 9-23: A respeito dosprimogênitos do gado.

Vv. 1-11. O ano da libertação tipificava a graça do Evangelho no qual se proclamava o ano aceitável do Senhor e, pelo qual, obtemos a remissão das nossas dívidas, isto é, o perdão dos nossos pecados. A lei é espiritual e coloca restrições aos pensamentos do coração. Equivocamo-nos se acreditarmos que há pensamentos livres do conhecimento e do controle de Deus. É o coração perverso, como o dos israelitas, que suscita maus pensamentos a partir da boa lei de Deus. Por haver Deus os obrigado à caridade e ao perdão, negaram a caridade de oferecer, os que desejam abster-se de pecar devem manter fora de sua mente o próprio pensamento do pecado. É espantoso que o pobre clame com justiça contra nós. Não devemos nos queixar por causa de um ato de bondade para com o nosso irmão; não devemos desconfiar da providência de Deus. Tudo o que fizermos de ser realizado liberalmente, porque Deus ama o que dá com alegria (2 Co 9.7).

Vv. 12-18. Aqui é repetida a lei sobre os servos hebreus, e acrescenta o requisito de que os senhores coloquem alguma reserva nas mãos de seus servos, para que se estabeleçam por si mesmos quando forem libertos de sua escravidão, durante a qual não recebiam salários. Podemos esperar bênçãos e prosperidade familiar quando tomamos consciência de nosso dever para com os nossos familiares. Lembremo-nos de que somos devedores perante a justiça divina, e não temos com que pagar. Somos escravos, pobres, e perecemos. Porém, o Senhor Jesus Cristo se fez pobre e derramou o seu sangue, e fez uma plena e livre provisão para o pagamento de nossa dívida, o resgate de nossas almas e para suprir todas as nossas necessidades. Quando se prega o Evangelho claramente, proclama-se o ano aceitável do Senhor; o ano da remissão das nossas dívidas, da libertação da nossa alma, e da obtenção do repouso nEle. Quando a fé em Cristo e o amor a Ele prevalecerem, triunfarão sobre o egoísmo do coração e sobre a maldade do mundo, e eliminarão as escusas que surgem da incredulidade, desconfiança e cobiça.

Vv. 19-23. Aqui há instruções sobre o que deveria ser feito com os primogênitos. Não estamos agora limitados, como estiveram os israelitas; não fazemos diferença entre um bezerro e um cordeiro primogênitos, e o restante. Então, contemplemos o significado desta lei no Evangelho, dedicando-nos a nós mesmos, bem como as primícias de nosso tempo e de nossas forças a Deus, e usando todos os nossos confortos e prazeres para o seu louvor, e sob a direção de sua lei, uma vez que tudo o que temos nos foi concedido por sua dádiva.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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