• 1 “Quando Israel estiver possuindo a terra que o SENHOR, o seu Deus, lhes der, e acontecer que for encontrado morto no campo o corpo de uma pessoa assassinada — e ninguém souber quem foi o assassino — façam o seguinte:
  • 2 Os oficiais e os juízes sairão e medirão a distância entre o lugar onde foi encontrado o cadáver e as cidades vizinhas.
  • 3 Os oficiais da cidade mais próxima pegarão uma novilha que nunca foi usada no trabalho e na qual ainda não tenha sido posta uma canga,
  • 4 e levarão a novilha a um vale de terras por onde passe água corrente, terras nunca lavradas nem semeadas. Ali vocês quebrarão o pescoço da novilha.
  • 5 Então os sacerdotes, descendentes de Levi, se aproximarão, porque foram escolhidos pelo SENHOR, o seu Deus, para servirem, para abençoarem o povo em nome do SENHOR e para decidirem todas as questões difíceis e os casos de violência.
  • 6 Então todos os anciãos da cidade mais próxima do cadáver lavarão as mãos sobre a novilha cujo pescoço foi quebrado no vale
  • 7 e dirão: ‘Não foram as nossas mãos que derramaram este sangue, e os nossos olhos não viram quem foi.
  • 8 Ó SENHOR! Tenha misericórdia de Israel, o seu povo, a quem o Senhor mesmo resgatou. Não ponha sobre o seu povo a culpa do sangue de um inocente! Conceda-nos o seu perdão’. Assim o povo não será considerado culpado por aquela morte.
  • 9 Dessa forma será eliminada de Israel a culpa pelo derramamento de sangue inocente, pois seguiram fielmente as determinações do SENHOR.
  • 10 “Quando vocês forem à guerra contra os seus inimigos e o SENHOR, o seu Deus, os entregar nas suas mãos, e eles forem levados como prisioneiros, atenção!
  • 11 Se um de vocês vir entre eles uma mulher formosa, se agradar dela e quiser casar com ela, siga estas instruções:
  • 12 Leve a mulher para casa; ela rapará a cabeça, cortará as unhas
  • 13 e se desfará das roupas do seu cativeiro. Feito isso, ela chorará pelo pai e pela mãe durante um mês. Depois você poderá casar com ela. Você será o seu marido, e ela será a sua mulher.
  • 14 Contudo, se depois do casamento você não quiser mais que ela seja sua esposa, terá de deixá-la sair livre. Você não poderá vendê-la nem tratá-la como se fosse escrava. Isto compensará a humilhação a que ela foi submetida por você.
  • 15 “Se um homem tiver duas esposas e amar uma delas e a outra não, e as duas lhe derem filhos, sendo que o filho mais velho é da mulher não amada,
  • 16 o homem não pode dar parte maior da herança ao filho mais novo, ou seja, ao filho da mulher que ele ama.
  • 17 O que ele tem de fazer é reconhecer como filho mais velho o filho da mulher que ele não prefere e, como de costume, dar porção dupla da herança ao filho mais velho de tudo que possui. Esse filho é o primeiro fruto do seu vigor, e a ele pertence o direito de filho mais velho.
  • 18 “Se um homem tiver um filho teimoso e rebelde, que não obedece nem ao seu pai nem à sua mãe, nem mesmo depois de ser castigado por eles,
  • 19 o pai e a mãe levarão o filho à presença dos líderes na entrada da cidade
  • 20 e dirão aos líderes: ‘Este nosso filho é teimoso e rebelde. Não nos obedece. É corrupto e beberrão!’
  • 21 Então todos os homens da cidade apedrejarão esse filho rebelde até que ele morra. Desse modo, ficará eliminado este mal entre vocês, e todo Israel, ao saber disso, temerá.
  • 22 “Se alguém cometer um crime que mereça a morte e, depois de condenado, for enforcado,
  • 23 o corpo dele não poderá ficar na forca durante a noite. É preciso que ele seja enterrado no mesmo dia, porque todo aquele que for pendurado para morrer é maldito por Deus! Não contaminem a terra que o SENHOR, o seu Deus, dá a vocês como herança.

Versículos 1-9: A expiação do homicídio não resolvido; 10-14: Sobre a cativa que for tornada como esposa; 15-17: Não deserdar o primogênito por afetos particulares; 18-21: O filho que comete porfias deve ser apedrejado; 22 e 23: Os malfeitores não devem permanecer pendurados durante toda a noite.

Vv. 1-9. Se não fosse possível encontrar determinado homicida, deveria ser realizada uma grande solenidade para retirar a culpa da terra, como expressão de temor e rejeição por este pecado. A providência divina tem trazido à luz, sempre maravilhosamente, as obras ocultas das trevas e os pecados dos que são culpáveis; por mais estranho que pareça, vez por outra os têm alcançado. O terror do homicídio deve estar profundamente impresso em todos os corações, e todos devem unir-se para detectar e castigar os culpados, os anciãos teriam que professar que não tinham, de forma alguma, ajudado ou instigado o pecado, os sacerdotes teriam que rogar a Deus pela nação, e pedir a Deus que fosse misericordioso. Devemos, através de nossas orações, esvaziar a medida que outros enchem com os seus pecados. Através desta solenidade, todos seriam ensinados a ter o máximo cuidado e diligência para impedir, descobrir e castigar o homicídio. Todos nós podemos aprender, através desta passagem, a não participarmos dos pecados dos outros. Se não repreendermos as obras infrutíferas das trevas, seremos participantes delas.

Vv. 10-14. Esta lei permitia que um soldado se casasse com a sua prisioneira, se assim o desejasse. Isto poderia acontecer em algumas ocasiões; porém, a lei não demonstra aprovação a esta prática. Também insinua quão obrigatórias são no matrimônio as leis da justiça e da honra, e que se trata de um compromisso sagrado.

Vv. 15-17. Esta lei prole aos homens deserdar o seu primogênito sem que exista uma causa justa, o princípio deste caso acerca dos filhos é, contudo, obrigatório aos pais; eles concedem aos filhos o seu direito sem parcialidade.

Vv. 18-21. Observe atentamente como o transgressor é descrito nesta passagem. É um filho rebelde e teimoso. A nenhum filho acontecerá o pior pelo fato de ser carente de capacidade, lento ou torpe, mas por agir somente conforme a própria vontade e por ser obstinado. Nada leva os homens a todo o tipo de maldade e os endurece nisto com mais certeza e fatalidade do que a embriaguez. Quando os homens se entregam à bebida, esquecem-se da lei que lhes manda honrar os seus pais. O seu pai e a sua mãe devem queixar-se dele aos anciãos da cidade. Os filhos que se esquecem de seu dever, sem culpar os seus pais se são contemplados cada vez com menos afeto, devem reconhecer que isto acontece por causa de sua própria conduta. Devem ser publicamente apedrejados pelos homens de sua cidade, até a morte. A desobediência aos pais deve ser algo tão mal, a ponto de ordenar-se um castigo como este. E, atualmente, não é menos provocador para Deus, ainda que os maus filhos possam até mesmo escapar do castigo do mundo. Porém, quando a juventude se escraviza aos apetites sexuais e passa prematuramente à prática sexual, o seu coração imediatamente se endurece, e a sua consciência fica cauterizada; nada podemos esperar senão a rebeldia e a destruição. Vv. 22 e 23. De acordo com a lei de Moisés, tocar um cadáver era uma atitude que contaminava as pessoas. Portanto, eles não deveriam permanecer pendurados, porque deste modo conduziriam a terra. Existe aqui uma razão que se refere a Cristo: aquele que é pendurado é maldito para Deus; isto é, o maior grau de desgraça e reprovação, os que vissem um homem pendurado entre o céu e a terra, concluiriam que este foi abandonado por ambos; portanto, era indigno dos dois lugares. Moisés, por inspiração do Espírito Santo, utiliza a frase de ser maldito de Deus, quando o que deseja expressar é ser tratado da maneira mais ignominiosa, para que posteriormente esta passagem pudesse ser aplicada à morte de Cristo e mostrar que, através dela, Ele sofreu a maldição da lei por nossa causa; Ele prova o seu amor e estimula-nos a termos fé nEle.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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