-
1
Moisés disse ao povo: — Quando vocês estiverem vivendo na terra que o SENHOR, nosso Deus, lhes está dando, pode acontecer que encontrem no campo o corpo de um homem assassinado e não se descubra quem foi que o matou.
-
2
Nesse caso, os líderes e os juízes irão medir a distância entre o lugar onde o corpo foi descoberto e as cidades em redor.
-
3
Aí os líderes da cidade que ficar mais perto do lugar onde estava o corpo pegarão uma bezerra que ainda não tenha sido usada no trabalho.
-
4
Levarão o animal para um vale onde haja um ribeirão que nunca seca e onde a terra nunca foi arada nem semeada, e ali quebrarão o pescoço do animal.
-
5
Os sacerdotes levitas também irão até lá, pois o SENHOR, nosso Deus, os escolheu para o servirem, para darem a bênção em nome do SENHOR e para decidirem todos os casos de violência.
-
6
Os líderes da cidade que ficar mais perto do lugar onde o corpo foi encontrado lavarão as mãos por cima do animal morto
-
7
e dirão: “Nós não matamos esse homem, nem sabemos quem foi que matou.
-
8
Portanto, ó SENHOR Deus, perdoa o teu povo de Israel, o povo que livraste do Egito. Não culpes o teu povo pela morte desse homem inocente.” Assim o povo não será culpado por aquela morte.
-
9
Portanto, se fizerem aquilo que o SENHOR acha certo, vocês estarão tirando do meio do povo a culpa pela morte de um homem inocente.
-
10
— Quando o SENHOR, nosso Deus, fizer com que vocês vençam os inimigos, e vocês levarem alguns prisioneiros de guerra,
-
11
pode ser que um de vocês veja entre eles uma mulher bonita. Se você gostar dela e quiser casar com ela,
-
12
leve-a para casa, onde ela, em sinal de luto, rapará a cabeça, cortará as unhas
-
13
e trocará de roupa. Ela morará na sua casa e ficará de luto um mês pela morte do pai e da mãe. Depois você pode casar com ela.
-
14
Porém, se mais tarde você não gostar mais dela, deixe que vá embora livre. Você não poderá vendê-la, nem maltratá-la, pois você a humilhou, forçando-a a casar com você.
-
15
— Pode acontecer que um homem tenha duas mulheres e ele goste mais de uma do que da outra. Cada uma delas lhe dá um filho, mas o que nasce primeiro é filho da mulher de quem ele gosta menos.
-
16
Quando esse homem distribuir os seus bens entre os filhos, não poderá mostrar preferência pelo filho da mulher mais querida, dando-lhe os direitos de primeiro filho.
-
17
O pai deverá dar os direitos de primeiro filho ao filho da mulher de quem gosta menos, pois é o primeiro, e os seus direitos devem ser respeitados; ele receberá duas vezes mais do que os outros.
-
18
— Pode ser que um homem tenha um filho teimoso e rebelde, que não obedece aos pais, nem mesmo depois de ser castigado.
-
19
Então os pais devem levá-lo aos líderes da cidade e no lugar de julgamento na praça pública
-
20
eles dirão: “O nosso filho é teimoso e rebelde; ele não nos obedece, gasta dinheiro à toa e é beberrão.”
-
21
Aí todos os homens daquela cidade o matarão a pedradas, e assim vocês tirarão o mal do meio do povo. Todos saberão do que aconteceu e ficarão com medo.
-
22
Moisés disse ao povo: — Se alguém for morto por ter cometido um crime, e o corpo for pendurado num poste de madeira,
-
23
não deixem que o corpo fique ali durante a noite. É preciso sepultá-lo antes do pôr do sol, pois um corpo pendurado assim faz a maldição de Deus cair sobre a terra. Sepultem o corpo, para que não fique impura a terra que o SENHOR, nosso Deus, lhes está dando para ser de vocês.
Recurso de Estudo
Versículos 1-9: A expiação do homicídio não resolvido; 10-14: Sobre a cativa que for tornada como esposa; 15-17: Não deserdar o primogênito por afetos particulares; 18-21: O filho que comete porfias deve ser apedrejado; 22 e 23: Os malfeitores não devem permanecer pendurados durante toda a noite.
Vv. 1-9. Se não fosse possível encontrar determinado homicida, deveria ser realizada uma grande solenidade para retirar a culpa da terra, como expressão de temor e rejeição por este pecado. A providência divina tem trazido à luz, sempre maravilhosamente, as obras ocultas das trevas e os pecados dos que são culpáveis; por mais estranho que pareça, vez por outra os têm alcançado. O terror do homicídio deve estar profundamente impresso em todos os corações, e todos devem unir-se para detectar e castigar os culpados, os anciãos teriam que professar que não tinham, de forma alguma, ajudado ou instigado o pecado, os sacerdotes teriam que rogar a Deus pela nação, e pedir a Deus que fosse misericordioso. Devemos, através de nossas orações, esvaziar a medida que outros enchem com os seus pecados. Através desta solenidade, todos seriam ensinados a ter o máximo cuidado e diligência para impedir, descobrir e castigar o homicídio. Todos nós podemos aprender, através desta passagem, a não participarmos dos pecados dos outros. Se não repreendermos as obras infrutíferas das trevas, seremos participantes delas.
Vv. 10-14. Esta lei permitia que um soldado se casasse com a sua prisioneira, se assim o desejasse. Isto poderia acontecer em algumas ocasiões; porém, a lei não demonstra aprovação a esta prática. Também insinua quão obrigatórias são no matrimônio as leis da justiça e da honra, e que se trata de um compromisso sagrado.
Vv. 15-17. Esta lei prole aos homens deserdar o seu primogênito sem que exista uma causa justa, o princípio deste caso acerca dos filhos é, contudo, obrigatório aos pais; eles concedem aos filhos o seu direito sem parcialidade.
Vv. 18-21. Observe atentamente como o transgressor é descrito nesta passagem. É um filho rebelde e teimoso. A nenhum filho acontecerá o pior pelo fato de ser carente de capacidade, lento ou torpe, mas por agir somente conforme a própria vontade e por ser obstinado. Nada leva os homens a todo o tipo de maldade e os endurece nisto com mais certeza e fatalidade do que a embriaguez. Quando os homens se entregam à bebida, esquecem-se da lei que lhes manda honrar os seus pais. O seu pai e a sua mãe devem queixar-se dele aos anciãos da cidade. Os filhos que se esquecem de seu dever, sem culpar os seus pais se são contemplados cada vez com menos afeto, devem reconhecer que isto acontece por causa de sua própria conduta. Devem ser publicamente apedrejados pelos homens de sua cidade, até a morte. A desobediência aos pais deve ser algo tão mal, a ponto de ordenar-se um castigo como este. E, atualmente, não é menos provocador para Deus, ainda que os maus filhos possam até mesmo escapar do castigo do mundo. Porém, quando a juventude se escraviza aos apetites sexuais e passa prematuramente à prática sexual, o seu coração imediatamente se endurece, e a sua consciência fica cauterizada; nada podemos esperar senão a rebeldia e a destruição. Vv. 22 e 23. De acordo com a lei de Moisés, tocar um cadáver era uma atitude que contaminava as pessoas. Portanto, eles não deveriam permanecer pendurados, porque deste modo conduziriam a terra. Existe aqui uma razão que se refere a Cristo: aquele que é pendurado é maldito para Deus; isto é, o maior grau de desgraça e reprovação, os que vissem um homem pendurado entre o céu e a terra, concluiriam que este foi abandonado por ambos; portanto, era indigno dos dois lugares. Moisés, por inspiração do Espírito Santo, utiliza a frase de ser maldito de Deus, quando o que deseja expressar é ser tratado da maneira mais ignominiosa, para que posteriormente esta passagem pudesse ser aplicada à morte de Cristo e mostrar que, através dela, Ele sofreu a maldição da lei por nossa causa; Ele prova o seu amor e estimula-nos a termos fé nEle.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público