• 1 Lindas palavras enchem o meu coração enquanto escrevo esta canção em homenagem ao rei. A minha língua é como a pena de um bom escritor.
  • 2 Ó rei, o senhor é o mais bonito de todos os homens e sabe fazer belos discursos. Deus sempre o tem abençoado.
  • 3 Ponha a espada na cintura, ó rei poderoso, forte e glorioso!
  • 4 Coberto de glória, avance para vencer, defendendo a verdade e a justiça. A sua força conquistará grandes vitórias.
  • 5 As suas flechas são afiadas e atravessam o coração dos seus inimigos; as nações caem aos seus pés.
  • 6 O reino que Deus lhe deu vai durar para sempre. Ó rei, o senhor governa o seu povo com justiça,
  • 7 ama o bem e odeia o mal. Foi por isso que Deus, o seu Deus, o escolheu e deu mais felicidade ao senhor do que a qualquer outro rei.
  • 8 A sua roupa está perfumada com mirra e aloés. Os músicos tocam para o senhor, ó rei, em palácios enfeitados com marfim.
  • 9 Entre as damas da sua corte, há filhas de reis, e, à direita do seu trono, está a rainha, usando enfeites de ouro puríssimo.
  • 10 Ó noiva do rei, escute o meu conselho: “Esqueça o seu povo e os seus parentes.
  • 11 Você é linda, e por isso o rei vai desejá-la; seja obediente a ele, pois ele é o seu senhor.
  • 12 Ó noiva, o povo da cidade de Tiro vai lhe trazer presentes; muita gente rica vai querer lhe agradar.”
  • 13 A princesa está no palácio — e como é linda! O seu vestido é feito de fios de ouro.
  • 14 Vestida de roupas coloridas e acompanhada pelas suas damas de honra, ela é levada até o rei.
  • 15 Com prazer e alegria, elas chegam e entram no palácio dele.
  • 16 Ó rei, o senhor terá muitos filhos, e eles serão reis também como foram os antepassados do senhor; e o senhor, ó rei, os fará governar o mundo inteiro.
  • 17 A minha canção fará com que a sua fama seja sempre lembrada, e todos o elogiarão para sempre.

Este salmo é uma profecia do Messias, e mostra-o como o noivo que se casa cota a Igreja, e o Rei que governa nela e por ela.

Vv. 1-5. A língua do salmista era guiada pelo Espírito Santo, como uma caneta nas mãos de um destro escritor. Este salmo refere-se ao Rei Jesus, ao seu reinado e governo. É vergonhoso que esta excelente matéria não seja mais o tema de nossas conversas. Existe muito mais em Cristo para despertar o nosso amor, do que há ou pode haver em qualquer criatura. Este mundo e os seus encantos estão dispostos a afastar os nossos corações de Cristo; portanto, é nosso dever compreendermos quanto mais digno Ele é de nosso amor. A boa vontade de Deus nos é dada a conhecer através de sua Palavra, de sua promessa, de seu Evangelho, e a boa obra de Deus começa e é levada a cabo em nós. O salmista, nos vv. 3 a 5, anuncia com regozijo o progresso e êxito do Messias. As setas agudas da condenação são muito terríveis no coração dos pecadores, até que sejam humilhados e reconciliados; porém, as setas da vingança o serão muito mais para os inimigos que se negam a submeter-se. Todos os que viram a sua glória e provaram a sua graça, regozijam-se, ao vê-lo colocar através de sua Palavra e de seu Espírito, os inimigos e estrangeiros sob o seu domínio.

Vv. 6-9. O trono deste Rei Todo-poderoso está estabelecido para sempre. Enquanto o Espírito Santo dirige o povo de Cristo a contemplar a sua cruz, Ele lhe ensina a ver a maldade do pecado e a beleza da santidade, para que nenhum cristão possa sentir-se animado a continuar em pecado. O Mediador é Deus; caso contrário, não teria realizado a obra da mediação, e além dEle ninguém teria sido apto a levar a coroa de Mediador. Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo, em natureza humana, realizam o trabalho de mediação através de seu Espírito, dado sem medida. Assim ungido para ser Profeta, sacerdote e Rei, Cristo tem a preeminência dos dons e da graça do Espírito que alegram, e de sua plenitude torna os seus irmãos de natureza humana participantes dEle. O Espírito santo é chamado de óleo de gozo, pelo deleite com que Cristo foi cheio, ao realizar a sua obra. A salvação dos pecadores é a alegria dos anjos, e muito mais ainda, do Filho de Deus. E à medida que ganhamos a forma da sua santa imagem, podemos ter a expectativa da grata influência do consolador. A excelência do Messias, a propriedade dos seus trabalhos e a suficiência de sua graça parecem estar figuradas pela fragrância das suas vestes. A Igreja formada pelos verdadeiros crentes é aqui comparada com o ouro fino por sua pureza e seu custo; assim como somos devedores pela nossa redenção, também devemos o nosso ornamento ao precioso sangue do Filho de Deus.

Vv. 10-17. Se desejamos compartilhar estas bênçãos, devemos obedecer à Palavra de Cristo. Devemos esquecer a nossa busca e inclinação carnal e pecaminosa. Ele deve ser o nosso Senhor e Salvador; devemos lançar fora todos os ídolos para lhe dar todo o nosso coração. E aqui há um bom alento para que sejamos libertos de alianças previamente estabelecidas. A beleza da santidade, da Igreja e dos crentes em particular, é de grande preço e muito afável aos olhos de Cristo. A obra da graça é realizada pelo Espírito santo, é a imagem de Cristo na alma, uma participação da natureza divina. Está limpa de todo o pecado, e este não vem dela. Não existe nada glorioso no velho homem ou na natureza corrupta; porém, tudo é glorioso no novo homem, ou na obra da graça na alma. O manto da justiça de Cristo, que Ele elaborou para a sua Igreja, é imputado pelo Pai, e este reveste a Igreja. Ninguém é [evado a Cristo, a não ser os que pelo Pai são levados a Ele. Este fato destaca a conversão das almas ao Senhor. O manto de justiça e as vestes de salvação são a mudança de atavios que crista colocou em sua Igreja. Os que se apegam fortemente a Cristo, e amam-no de todo o coração, constituem a esposa, participam da mesma graça, desfrutam dos mesmos privilégios e compartilham a mesma salvação. Cada um será levado ao Rei; nenhum se perderá, nem será deixado para trás. Ao invés da Igreja do Antigo Testamento, haverá uma Igreja do Novo Testamento, uma Igreja gentia. Na esperança que dá crédito à nossa felicidade eterna no outro mundo, sempre mantenhamos Cristo em nossa mente, como o único caminho para chegarmos lá. E transmitamos a lembrança dEle às gerações seguintes, para que o seu nome perdure para sempre.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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