• 1 Estes provérbios, a seguir, foram descobertos e copiados pelos secretários de Ezequias, rei de Judá:
  • 2 É um privilégio de Deus agir em segredo; os governantes têm como privilégio desvendar o segredo.
  • 3 Contudo, há coisas impenetráveis como o infinito do universo e as profundezas do planeta; frequentemente, também, as verdadeiras intenções políticas dos governantes.
  • 4 Retirada a escória da prata, fica-se com prata-de-lei, pronta para o joalheiro.
  • 5 Da mesma forma, quando a administração pública é limpa de homens perversos, o governo torna-se estável e firma-se na justiça.
  • 6 Não te engrandeças a ti mesmo na presença de autoridades ou governantes, nem forces para que te considerem uma alta individualidade.
  • 7 Vale mais que sejam eles a convidar-te para o círculo das pessoas importantes, do que arriscares-te a ser publicamente envergonhado, por não te tomarem em consideração.
  • 8 Não tenhas muita pressa em levar a tribunal uma questão com alguém; a conclusão do processo pode não te ser favorável e sujeitas-te a ficares numa situação extremamente desagradável.
  • 9 É preferível tentares resolver o assunto diretamente com a pessoa com quem estás em conflito.
  • 10 Podem outros acusar-te de inconfidência, de modo que nunca mais recuperarás a tua boa reputação.
  • 11 Como maçãs douradas, numa salva de prata, assim é uma boa palavra dita a seu tempo.
  • 12 Como uma condecoração, ou como um anel de ouro, assim é a crítica sincera, objetiva e justa, para aquele que a sabe aceitar.
  • 13 Como a frescura da neve, no auge dos calores do verão, assim é aquele que cumpre fielmente a sua missão para com quem o mandou.
  • 14 Uma pessoa que promete, mas que nunca chega a dar, é como nuvens que passam sobre a terra seca, sem nunca trazerem chuva.
  • 15 Com muita paciência pode chegar-se a convencer até mesmo um magistrado; as palavras brandas são capazes de quebrar ossos duros.
  • 16 Gostas de mel? Não comas demais, para que não venhas a enjoá-lo.
  • 17 Não visites demais o teu amigo; a certa altura, ele não poderá mais suportar-te.
  • 18 Dizer mentiras sobre alguém, fere tanto, como bater-lhe com uma vara de ferro ou feri-lo com uma arma.
  • 19 Confiar num indivíduo desleal, quando estamos aflitos, é comer carne com um dente quase a partir-se, ou correr com um osso do pé deslocado.
  • 20 Cantar cantigas alegres, ou dizer piadas junto de quem está a sofrer, é o mesmo que obrigar alguém a andar em camisa, num dia de muito frio, ou esfregar uma ferida com sal.
  • 21 Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber.
  • 22 Porque assim amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele e o SENHOR te recompensará.
  • 23 Assim como o vento do norte traz a chuva, também uma resposta torta provoca a ira.
  • 24 Vale mais viver num canto dum sótão, do que numa bela casa com uma mulher implicadora e rabugenta.
  • 25 Como água bem fresca para quem está sedento e cansado, assim são as boas notícias que se recebem de longe.
  • 26 Um homem justo, mas que se compromete com os ímpios, é como uma fonte poluída, ou um poço cheio de lama.
  • 27 Tal como não é bom comer mel em exagero, também não está certo uma pessoa passar a vida a pensar nas honras que teria merecido.
  • 28 Uma pessoa que não sabe, ou não pode, controlar-se é como uma cidade aberta, sem muralhas.

Nomes deste capítulo

Vv. 1-3. Deus não precisa investigar todas as coisas; nada é capaz de estar oculto diante dEle. Porém, a honra dos reis é investigar as coisas, a fim de trazer à luz as obras ocultas das trevas.

Vv. 4 e 5. A melhor maneira de um príncipe sustentar o seu governo é suprimir o vício e reformar o seu povo.

Vv. 6 e 7. A religião nos ensina a humildade e a negarmos a nós mesmos. o que tem visto a gloria do Senhor em Cristo sentirá a sua própria indignidade.

Vv. 8-10. A pressa para iniciar uma discórdia acarretará dificuldades. As guerras geralmente são longas, e o melhor a fazer é impedi-las. Assim acontece com as brigas particulares; façamos o possível para resolver o assunto.

Vv. 11 e 12. Uma palavra de conselho ou de repreensão, dita corretamente, é especialmente bela, assim como a boa fruta fica ainda mais bela em cestas de prata. V. 13. Veja qual deve ser a conduta daquele a quem se confia um negócio: ser fiel. Um ministro fiel, mensageiro de Cristo, de~le assim ser aceitável para nós. V. 14. O que finge ter recebido ou dado o que nunca possuiu, é como a nuvem matinal que desilude os que esperam chuva. V. 15. Tenha paciência para suportar uma ferida presente. Seja suave para falar sem paixão, porque a linguagem persuasiva é o mais efetivo meio que pode ser usado para prevalecer sobre a mente endurecida. V. 16. Deus nos tem dado permissão para usar coisas boas; porém, nos adverte contra os excessos. V. 17. Não podemos estar em uma situação amigável com o nosso próximo sem discrição nem sinceridade. Quão melhor amigo é Deus do que qualquer outro amigo! Quanto mais frequentemente vamos a Ele, mais bem-vindos somos. V. 18. O testemunho falso é totalmente perigoso. V. 19. A confiança em um homem infiel é dolorosa e ofensiva; quando submetido a qualquer pressão, não somente falha, mas nos faz sentir isto. V. 20. Tomamos um mau rumo se pensamos em aliviar os tristes, e propomo-nos a fazê-los felizes.

Vv. 21 e 22. O preceito de amar até os nossos inimigos é um mandamento do Antigo Testamento. Nosso Salvador tem demonstrado o seu grande exemplo por si próprio, ao nos amar quando éramos seus inimigos. V. 23. Os caluniadores não falariam tão facilmente se não fossem tão facilmente ouvidos. O pecado torna-se covarde se receber qualquer freio. V. 24. Melhor é estar sozinho do que estar acompanhado de alguém que seja um obstáculo ao bem-estar da vida. V. 25. O céu é um país longínquo; quão refrescante é a boa nova de lá, expressa no Evangelho eterno e no testemunho do Espírito com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus! V. 26. Quando os justos são levados a pecar, isto é tão danoso como se as fontes de água fossem envenenadas. V. 27. Por meio da graça devemos mortificar os prazeres dos nossos sentidos, e também os elogios bajuladores dos homens. V. 28. O homem que não domina sua ira terá a sua paz facilmente roubada. Entreguemo-nos ao Senhor e oremos para que Ele coloque o seu Espírito em nós, e nos faça andar em seus estatutos.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
Referências cruzadas: OpenBible.info (CC BY)