• 1 Oração de Moisés, homem de Deus. Senhor, como tem sido o nosso refúgio em todas as gerações!
  • 2 Antes das montanhas terem nascido; antes da terra e do mundo existirem; desde sempre e para sempre, o Senhor é Deus.
  • 3 O Senhor pode reduzir o ser humano ao pó, dizendo apenas: “Voltem a ser pó!”
  • 4 Para o Senhor, mil anos são como um dia que já passou, como as horas da noite que passam depressa.
  • 5 O Senhor semeia os seres humanos ano após ano; eles são como a erva
  • 6 que brota e cresce pela manhã, mas seca e morre de tarde.
  • 7 Somos consumidos pela sua ira, o seu furor nos enche de terror.
  • 8 O Senhor conhece todas as nossas maldades. Ninguém pode esconder os seus pecados da luz da sua presença.
  • 9 Passamos a vida debaixo da sua ira; depressa como um sopro, os nossos anos chegam ao fim.
  • 10 Vivemos uns setenta anos, talvez oitenta para os mais fortes. Vivemos sempre trabalhando, sofrendo e, de repente, a nossa vida termina e nós desaparecemos.
  • 11 Ninguém conhece o poder da sua ira, nem sentiu o temor e o respeito que o seu furor deveria causar.
  • 12 Ensine-nos que a vida é curta, para vivermos com sabedoria.
  • 13 SENHOR, volte de novo para o nosso lado. Trate os seus servos bem.
  • 14 Encha-nos todas as manhãs com o seu amor fiel e cantaremos de alegria toda a nossa vida.
  • 15 Dê-nos tantos anos de alegria, como nos deu de sofrimento.
  • 16 Deixe que os seus servos vejam as maravilhas que faz, e permita que os filhos deles vejam a sua glória.
  • 17 Que o Senhor, nosso Deus, seja bom para nós, que nos dê sucesso em tudo o que fizermos. Sim, que nos dê sucesso em tudo!

Nomes deste capítulo

Versículos 1-6. A eternidade de Deus, a fragilidade do homem; 7­ 11: A submissão aos castigos divinos; 12-1 7: Oração por misericórdia e graça.

Vv. 1-6. supõe-se que este salmo se refira à sentença ditada contra Israel no deserto (Nm 14). O favor e a proteção de Deus são os únicos repousos e consolos seguros da alma neste mundo vil. Cristo Jesus é o único refúgio e a morada na qual podemos nos refugiar. Somos como criaturas moribundas; todas as nossas consolações no mundo estão moribundas; porém, o Senhor é o Deus eterno e os crentes o encontram como tal. Quando, por causa de enfermidades ou outras aflições, Deus leva os homens à beira da destruição, chama-os a que se voltem a Ele, arrependidos dos pecados que praticaram e prontos a viver uma nova vida. Mil anos nada são quando comparados à eternidade de. Deus: entre. um minuto e um milhão de anos existe uma certa proporção; porém,, entre o tempo e a eternidade já não há. Todos os sucessos de mil anos, sejam os do passado ou os vindouros, são tão presentes para a mente eterna, quanto os fatos que aconteceram para nós há uma hora atrás. Na ressurreição, a alma regressará e estará unida a um corpo. O tempo passa sem que o percebamos, como os homens que estão adormecidos. Quando passa, já é como nada. É uma lida curta e passageira, como as águas da inundação. O homem somente floresce como a erva, que murcha por ocasião da chegada do inverno ou da velhice; porém, pode ser cortado pela enfermidade ou por algum desastre.

Vv. 7-11. As aflições dos santos costumam ser provenientes da permissão que é concedida pelo amor de Deus; porém, as reprovações para os pecadores e os crentes, por causa dos pecados que cometam, devem ser consideradas como procedentes do desagrado de Deus. Os pecados secretos são conhecidos por Deus, e por Ele serão tratados. Observemos quão néscios são os que procuram encobrir os seus pecados, porque na verdade não são capazes de fazê-lo. Quando os nossos anos se passam, não podem ser recordados novamente, mais do que as palavras que pronunciamos. Toda a nossa vida é fraca e problemática, e poderá ser cortada em meio aos anos que contamos. Por tudo isto, somos ensinados a permanecer reverentes. Os anjos que pecaram conhecem o poder da ira de Deus; os pecadores no inferno também a conhecem, mas quem, dentre nós, é capaz de descrevê-la completamente? Poucos consideram-na com a devida seriedade. Os que zombam do pecado, e procuram a Cristo superficialmente, com toda a certeza não conhecem o poder da ira de Deus. Quem dentre nós é capaz de habitar com este fogo consumidor?

Vv. 12-17. Os que conhecem a sabedoria divina devem orar e pedir a sua instrução. Devem implorar que o Espírito santo lhes ensine mais, e isto por meio do consolo e gozo nas retribuições ao favor de Deus. Oram e pedem a misericórdia de Deus, porque não pretendem alegar méritos próprios. O seu favor será uma fonte plena de gozos futuros, uma compensação suficiente pelos pesares anteriores. Que a graça de Deus em nós produza a luz das boas obras. Que as consolações divinas coloquem a alegria nos nossos corações e o resplendor em nosso semblante. Que a obra das nossas mãos seja confirmada. Ao invés de desperdiçarmos os nossos preciosos dias passageiros à procura de fantasias, que deixam os seus possuidores para sempre pobres, busquemos o perdão dos nossos pecados e uma boa herança no céu. Oremos para que a obra do Espírito santo possa se manifestar na conversão do nosso coração, e que a beleza da santidade seja vista em nossa conduta.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0