• 1 Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.
  • 2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?
  • 3 Minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, pois me perguntam o tempo todo: “Onde está o seu Deus?”
  • 4 Quando me lembro dessas coisas, choro angustiado. Pois eu costumava ir com a multidão, conduzindo a procissão à casa de Deus, com cantos de alegria e de ação de graças em meio à multidão que festejava.
  • 5 Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e
  • 6 o meu Deus. A minha alma está profundamente triste; por isso de ti me lembro desde a terra do Jordão, das alturas do Hermom, desde o monte Mizar.
  • 7 Abismo chama abismo ao rugir das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim.
  • 8 Conceda-me o SENHOR o seu fiel amor de dia; de noite esteja comigo a sua canção. É a minha oração ao Deus que me dá vida.
  • 9 Direi a Deus, minha Rocha: “Por que te esqueceste de mim? Por que devo sair vagueando e pranteando, oprimido pelo inimigo?”
  • 10 Até os meus ossos sofrem agonia mortal quando os meus adversários zombam de mim, perguntando-me o tempo todo: “Onde está o seu Deus?”
  • 11 Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus.

O conflito da alma do crente.

Vv. 1-5. O salmista contemplava o Senhor como o seu supremo bem, e colocou o seu coração nEle coerentemente; lançada inicialmente a âncora, a tempestade é amenizada. A alma que está sob a graça encontra pouca satisfação nos átrios de Jeová, se ali não se encontrarem com o próprio Deus. As almas jamais poderão descansar em outra parte que não seja no Deus vivo. Comparecer diante do Senhor é o desejo do justo, e é o terror do hipócrita. Nada é mais penoso para a alma crente do que aquilo que é concebido para tirar a sua confiança do Senhor. O que afligia Davi não era a lembrança dos prazeres da corte, mas a lembrança da liberdade que possuía de entrar na casa de Deus, e o deleite que sentia por estar nela. Os que conversam muito com o seu próprio coração, muitas vezes terão que repreendê-lo. Observemos a cura da tristeza. Quando a alma repousa em si mesma, ela se funde; se esta se apegar fortemente ao poder e à promessa de Deus, manterá a sua cabeça acima das grandes ondas. E que apoio teremos em relação aos 'ais' do presente, se não através do consolo que temos nEle? Temos muitos motivos para chorar por causa do pecado; porém, a depressão procede da incredulidade e de uma vontade rebelde; portanto, devemos nos esforçar e orar contra estas.

Vv. 6-11. O caminho para nos esquecermos de nossas misérias é lembrarmo-nos do Deus de nossas misericórdias. Davi contemplou as aflições que procediam da ira de Deus, e isto o desanimou. Porém, se um problema vem logo após outro, se tudo parece combinar para nos arruinar, lembremo-nos que todos são permitidos e governados pelo Senhor. Davi considera o favor divino como a fonte de todo o bem que ele espera. É no nome do Salvador que esperamos e oramos. Uma palavra dEle acalma toda a tormenta, e transforma as trevas da meianoite na luz do meio-dia; transforma as queixas mais amargas em louvores regozijantes. A nossa expectativa de fé na misericórdia deve avivar as nossas orações. Após muito tempo, a sua fé foi vencedora, e animou-o a confiar no nome do Senhor, e a permanecer no seu Deus. Ele acrescenta: "Meu Deus". Este pensamento capacitou-o a triunfar sobre todas as suas penas e temores. Jamais pensemos que o Deus de nossa vida e a Rocha de nossa salvação esqueceu-se de nós, se temos estabelecido o nosso refúgio em sua misericórdia, verdade e poder. Assim, o salmista lutou contra o seu próprio desencanto; por fim, a sua fé e esperança alcançaram a vitória. Aprendamos a controlar todas as dúvidas e os temores incrédulos. Apliquemos a promessa primeiramente a nós e, em seguida, peçamos a Deus que a realize.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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