• 1 Então Zofar, o naamatita, tomou a palavra e disse:
  • 2 “Será que todas essas palavras ficarão sem resposta? Por acaso, tem razão o falador?
  • 3 Você pensa, Jó, que o seu palavreado fará calar os homens? E, quando você zomba, pensa que não haverá ninguém que o envergonhe?
  • 4 Pois você diz: ‘A minha doutrina é pura, e sou limpo aos olhos de Deus.’
  • 5 Mas quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra você,
  • 6 e lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme! Saiba, portanto, que Deus permite que seja esquecida parte da sua iniquidade.”
  • 7 “Será que você pode desvendar os mistérios de Deus ou descobrir a perfeição do Todo-Poderoso?
  • 8 A sabedoria de Deus é mais elevada do que os céus; o que você poderá fazer? Ela é mais profunda do que o abismo; o que você poderá saber?
  • 9 A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar.
  • 10 Se ele passa, prende alguém e chama a juízo, quem o poderá impedir?
  • 11 Deus conhece os homens falsos e, sem esforço, vê a iniquidade.
  • 12 Mas os tolos se tornarão sábios quando a cria de uma jumenta selvagem nascer homem.”
  • 13 “Se você dispuser o coração e estender as mãos para Deus;
  • 14 se lançar para longe a iniquidade de suas mãos e não permitir que a injustiça habite na sua tenda,
  • 15 então você levantará o seu rosto sem mácula, estará seguro e não temerá.
  • 16 Pois você esquecerá os seus sofrimentos e só lembrará deles como de águas passadas.
  • 17 A sua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, serão como a manhã.
  • 18 Você se sentirá seguro, porque haverá esperança; olhará ao redor e dormirá tranquilo.
  • 19 Você se deitará, e ninguém irá atemorizá-lo; e muitos procurarão obter o seu favor.
  • 20 Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, sem que encontrem refúgio; a única esperança deles será morrer.”

Versículos 1-6: Zofar reprova a Jó; 7-12: As perfeições de Deus e sua onipotência; 13-20: Zofar assegura bênçãos a Jó, após seu arrependimento.

Vv. 1-6. Zofar ataca Jó com muita veemência, apresentando-o como alguém apreciado ao falar, ainda que não possa dizer algo sobre o tema em discussão, e como quem mantém falsidades. Desejava que Deus mostrasse a Jó que a ele era infligido menos castigo do que o merecido. Estamos prontos com muita segurança para pedir a Deus que atue em nossas disputas, e para pensar que se tão-somente falasse, Ele estaria a nosso favor. Devemos deixar todas as disputas a critério do juízo de Deus, que é segundo a verdade; porém, nem sempre os que são mais inclinados a apelar à justiça divina são os que têm mais razão.

Vv. 7-12. Zofar fala bem a respeito de Deus, sua grandeza e sua glória; e no tocante ao homem, fala o quão vãos e néscios costumam ser. Assim Deus vê ao homem vão: que se considera sábio ainda que nasça como um indomável filhote de jumento selvagem, não domesticável. O homem é uma criatura vã; vazia, esta é a qualificação correta. Não obstante é uma criatura orgulhosa que se engana a si mesma. Pensa que é sábio, ainda que não se submeta às leis da sabedoria. Ele seria sábio se seguisse a sabedoria proibida e, como os seus primeiros pais, tendendo a ser mais sábio do que aquilo que está escrito, perde a árvore da vida por causa da árvore do conhecimento. Uma criatura nesta condição é apta para contender com Deus?

Vv. 13-20. Zofar exorta a Jó a que se arrependa e lhe dá ânimo, ainda que misturados com pensamentos maus sobre Jó. Ele pensava que a prosperidade terrena sempre era a sorte do justo, e que Jó estava condenado a ser hipócrita, a menos que sua prosperidade fosse restaurada. "Então o teu rosto levantarás sem mácula", isto é, poderás ir diretamente ao trono da graça, e não com terror e o assombro expressos no cap. 9.34. Se formos vistos no rosto do Ungido, nossos rostos antes deprimidos poderão ser levantados; ainda que corruptos, agora lavados com o precioso sangue do Senhor Jesus Cristo, podem ser levantados sem manchas. Poderemos nos aproximar com plena segurança de fé, quando formos purificados da má consciência (Hb 10.22).

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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